Que o grupo chileno Lan cobiça o mercado aéreo brasileiro é algo conhecido. O fato novo é que o presidente da companhia, Jorge Awad, começou a manifestar com veemência o plano de ter uma empresa aérea no Brasil para explorar o transporte de passageiros dentro do país. Na última sexta-feira, o executivo afirmou que a abertura de uma unidade brasileira é prioridade da Lan no curto e médio prazos, segundo a agência Reuters. Awad evitou dar um prazo específico para concretizar o plano e disse que a empresa tem "paciência". No dia anterior, o jornal chileno "Diario Financiero" havia informado que o executivo quer se reunir com o presidente Luiz Inacio Lula da Silva durante a viagem deste ao Chile, agendada para setembro. O objetivo, disse Awad, é pedir a Lula que "apresse o projeto de lei que está no Congresso, que estabelece que o capital estrangeiro (em empresas aéreas brasileiras) passe do atual limite de 20% para 49%". O executivo fez referência ao projeto de lei do Senado que reúne três outros projetos redigidos anteriormente. Um dos pontos abordados é o aumento do limite de capital estrangeiro com direito a voto para 49% e outro, que deve sofrer forte resistência das aéreas nacionais, estabelece o direito de empresas estrangeiras realizarem voos domésticos entre cidades do Brasil - a chamada "cabotagem". A legislação atual, embora proíba o controle de uma aérea nacional por estrangeiros, não impediu que a própria Lan se tornasse a principal investidora da Absa, empresa de transporte aéreo de cargas com sede em Campinas (SP). A Lan detém 20% das ações ordinárias (com direito a voto) e 100% das preferenciais, o que perfaz 74% do capital total da Absa. Os sócios Norberto Jochmann e Talito Endler dividem o resto das ações. A Lan, que nasceu no Chile, já abriu empresas na Argentina, Equador e Peru. No Brasil, opera voos internacionais para a América do Sul e tem um acordo comercial ("code share") com a TAM. A eventual entrada do grupo chileno no país significaria mais um concorrente de peso na disputa pelo passageiro doméstico - TAM e Gol têm juntas quase 90% do mercado, mas aéreas menores vêm ganhando participação. Em 2008, a Azul foi criada pelo empresário David Neeleman, nascido no Brasil e naturalizado americano, e já é a terceira maior. Em 2007, a Lan negociou a aquisição da Varig, mas desistiu.
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