Aerofobia
Por Antonio Ribeiro
O título deste post está na moda. Aerofobia, termo médico de origem grega, é o pânico morbido de estar ao ar livre ou exposto a correntes de ar. Ele quer dizer também, mais especificamente, medo de voar de avião. Pouco menos da metade dos brasileiros admite sofrer desta ansiedade, muitas vezes associada com a claustrofobia (medo de permanecer espaços fechados) e com a acrofobia (medo irracional e irreprimível das alturas).
Uma pesquisa recente revela que apenas 6% das pessoas sentem-se, totalmente, seguros dentro de um avião. No entanto, trata-se do transporte mais confiável com 0,002 mortes por 100 milhões de passageiros/km. Segundo as estatísticas, um motoqueiro, por exemplo, chance 700 vezes maior de morrer que um passageiro de avião.
O avião em si não atemoriza as pessoas mas a idéia de que fazem dele. A desconfiança e o mistério ajudam a propagar a fobia. Neste particular, os fabricantes de aeronaves, as companhias aéreas e autoridades da aviação tem imensa responsabilidade. O mundo não está livre de acidentes aéreos, mas convivera melhor com uma aviação civil mais transparente. Por razões comerciais e corporativas, quase nunca em favor dos passageiros, o universo aeronáutico ainda é um circulo fechadíssimo. Bem mais do que os transportes ferroviários, marítimos ou automotores.
“Sete em cada dez acidentes, a causa é humana”, diz Ronan Hubert, perito em acidentes aéreos que criou em 1990, um centro de arquivos em Genebra na Suíça, onde estão registrados mais de 17.000 casos. Hubert observa que o aumento das melhorias tecnológicas nos aviões trouxe uma outra tendência, a excessiva confiança dos pilotos nos aparelhos. “A formação dos pilotos é uniforme no mundo todo, atualização de conhecimentos bem menos” , diz ele.
O jornal Le Parisien da conta na sua edição de hoje que devido a aerofobia houve um aumento de pedidos de demissões entre as comissárias de bordo da Air France. A companhia enviou comunicado desmentindo formalmente que 150 comissárias pediram demissão.

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